Poseidon | coleção Deuses da Mitologia
Num sorteio, ao dividir o Universo com seus dois irmãos, Zeus e Hades, Poseidon recebeu os oceanos como seu território primordial de domínio. Alguns estudiosos ligam seu nome etimologicamente à expressão posí desmón, que significa “obstáculo aos pés”, em referência à dificuldade para se andar sobre as águas. Mas seus poderes também se faziam sentir no chão firme. Ou melhor, não tão firme assim, pois ele era também o deus dos terremotos, ou hó seíon, “aquele que chacoalha”.
Rafel Scopacasa, atualmente especializando-se na Universidade de Exeter, na Inglaterra, e com pesquisas arqueológicas em curso na Itália, nos mostra neste número da coleção Deuses da Mitologia uma imagem completa de Poseidon. Suas iras, paixões, atributos e epítetos. Desde as origens ainda na civilização minóico-micênica, que antecede os escritos de Homero em mais de mil anos, passando pelo Poseidon grego, até chegar ao Netuno romano, cujos atributos diferem significativamente de seu antecessor.
Assim como Zeus, Poseidon parece ter um papel de fertilizador do Universo, talvez devido a sua ligação com a infinita variedade da vida marítima. Seus amores são contados às dezenas, seus filhos, entre deuses, humanos e animais, constituem uma imensa família. Ele era também tido como o criador dos cavalos, fecundados por seu esperma na rocha, símbolos de força e de natureza indômita. Mas os cavalos podem também significar uma certa natureza aristocrática do culto ao deus, pois a nobreza eqüestre distinguia-se na devoção a Poseidon.
A história da arte nos serve de guia visual nessa seqüência de belas histórias e de intrigantes curiosidades sociais, ideológicas e religiosas que nos são reveladas por meio do estudo desse deus tão poderoso.
Rodrigo Lacerda, Editor
