Paixão pelos livros
O livrinho é curto e traz na capa impactante fotografia de uma biblioteca londrina, bombardeada em 1940. Nessa foto, ingleses encapotados vasculham estantes que restaram da brutal destruição. Impressionou-me a cena de guerra, mas comprei o pequeno volume também pelo título. A Paixão pelos Livros (Casa da Palavra. 150 págs. R$ 32). Leitura muito agradável dos textos assinados por José Mindlin. Drummond, D’Alembert, Flaubert, Caetano Veloso, Petrarca, Plínio Doyle, John Milton, Momaigne, Benjamin Franklin, Varlam Chalamov, Camilo Castelo Branco, Sarovan e Rodrigo Lacerda. Textos em excesso. Desiguais, é fidelidade, mas todos aceitáveis pois reverenciam cada qual a seu modo um objeto sagrado que resultou para felicidade geral da invenção dos tipos móveis por Gutemberg no século 15.
Aqui estamos no terceiro milênio a perguntar se houve em qualquer época urna revolução tão benéfica e civilizadora quanto a provocada pejo surgimento do livro. Informática? Internet? Ora, façam-me o favor. José Mindlin na página de abertura levanta muito apropriadamente a questão. Não fala como bibliófilo mas como leitor. Diz coisas simples e belas a respeito do poder transformador da leitura.
