Diário do Grande ABC | A dinâmica das larvas


JORNAL: Diário do Grande ABC
DATA: 14 de setembro de 1996

Rodrigo Lacerda tenta fugir da maldição do “2º livro”
Em Dinâmica das Larvas, autor enfrenta desafio de alcançar o sucesso de O Mistério do Leão Rampante
|| Por Paulo Carneiro

Poucos autores conseguem repetir no segundo livro n mesmo sucesso alcançado na estréia.
Ciente desse desafio, Rodrigo Lacerda, 27 anos, está lançando seu segundo livro, A Dinâmica das Larvas (Nova Fronteira). cercado de cautela. “Tenho de apostar no meu taco “. afirma o autor que ganhou o prêmio Jabuti com O Mistério do Leão Rampante lançado pela editora Ateliê de São Caetano.

Rodrigo foi assaltado também pelo temor de ser mal interpretado. E que os personagens do novo romance habitam o meio editorial, onde ele transita desde criança. Sua família é proprietária de duas editoras: Nova Fronteira e Nova Aguilar. “Tive medo de ser considerado autor de um “livro-denúncia”, confessou em entrevista exclusiva ao Diário. Abaixo os principais trechos:

Diário – A boa repercussão de seu primeiro livro deixou uma expectativa grande cm relação ao segundo. Você foi assaltado pelo medo de frustrar essa expectativa?
Rodrigo Lacerda – De falo existe aquela história de que quando o primeiro livro é consagrado, o segundo naufraga. Tive muito medo dessa maldição Outro receio que tive foi quanto ao falo de o livro falar de personagens do mercado editorial, no qual trabalho. Temi que meu livro fosse entendido como uma denúncia contra o mercado editorial, um roman à clef que retratasse pessoas reais com nomes fictícios. Realmente tive esses dois medos.

Diário – Como eles foram superados?
Lacerda – No caso do primeiro, não me resta alternativa a não ser apostar no meu taco e mostrar que o livro é. no mínimo, tão bom quanto o primeiro. Já para resolver o segundo medo, escrevi um posfácio no qual declaro que não trata de roman à clef ou romance denuncia.

Diário – Você havia prometido lançar seu segundo livro pelas mesma editora do primeiro, a Ateliê, de São Caetano. Por que este saiu pela Nova Fronteira?
Lacerda – Eu tinha planejado um livro juntando três novelas, mas escrevi apenas duas e meia. A principio, duas estavam com a Ateliê. Mas quando saiu o Prêmio Jabuti, a Nova Fronteira me convidou para lançar um livro, com a condição de que fosse lançado na Bienal. Então conversei com o Plínio Martins (dono da Ateliê) e ele percebeu a importância que isto poderia ter na minha carreira. Como eu linha dois livros prontos, ele ficou com um e me deixou livre para publicar o outro.

Diário – A Dinâmica das Larvas se ambienta nos bastidores do mercado editorial, que não tem o glamour do meio teatral apresentado no Leão Rampante. Como surgiu a idéia de trabalhar esse ambiente?
Lacerda – Eu trabalho no meio editorial desde os 19 anos e acho que ele tem um certo glamour, embora o editor, em última instância, seja um comerciante. Porém o seu produto não é uma lata de salsicha, mas algo ligado à arte, à estética e que trabalha com idéias do presente e do passado.

Diário – Você pretendo dar um tempo agora ou já está locando outro projeto?
Lacerda – Não quero parar para não ficar preguiçoso, listou trabalhando uni livro de contos, que já tem quatro escritos e deve chegar a no mínimo dez. Além disso, estou para iniciar um novo romance. Ele já está pronto na cabeça. Falta sentar e escrever.