Bom Texto | 90 anos do Colégio Andrews
boxe 1 – As duas irmãs
Não, as fundadoras do Colégio Andrews não eram irmãs de sangue. Isabel Andrews nascera em 1871, filha de ingleses radicados no Brasil. Alice Flexa Ribeiro, em 1884, filha de um industrial paraense.
Conheceram-se no Rio de Janeiro, entre 1914 e 1918, graças a um “carroção”. Este era o nome de uma complicada operação aritmética, que Alice desejava aprender. Mrs. Andrews, que vinha a ser professora de matemática de sua irmã, sabia operar o milagre. Alice pediu sua ajuda, e foi assim que a amizade começou.
Um certo dia, em 1918, Isabel telefonou para Alice, dizendo: “Fundei um colégio e necessito de uma pessoa de confiança para ficar das 11 às 13 tomando conta das crianças. Tenho um trabalho no banco que não posso abandonar. Se você quiser, todos os dias menos sábado, pago 100 mil réis por mês”.
O empreendimento de Isabel chamava-se Curso Andrews. Embora ela e Alice se referissem a ele, desde sempre, como “colégio”, tecnicamente não o era, pois todas as instituições que preparavam alunos para passar pelos exames do colégio Pedro II, chamavam-se oficialmente “cursos”. O Andrews funcionava na casa de Isabel e era ainda muito modesto, com apenas três alunos. Mas Alice não recusou o convite, e tudo caminhou muito bem. Elas fecharam o primeiro ano de atividade com 35 alunos, todos meninos. Alice ensinava Francês e História; Isabel, além da Matemática, o Inglês.
Alice, contudo, recebeu uma proposta para dirigir uma escola maior, esta só para meninas. E aceitou, com o consentimento da amiga. Dois anos depois, recebeu um novo telefonema de Mrs. Andrews, agora fazendo-lhe uma proposta irrecusável: “Alice, se você não voltar e me ajudar, eu fecho. Se quiser trabalhar comigo, meio a meio, faremos um colégio grande”.
Numa época em que a maioria das escolas era predominantemente religiosa, e a quase totalidade delas ou para meninos, ou para meninas, a jovem professora paraense resolveu ousar: “Eu aceito. Mas então receba meninas também. Criaremos um colégio misto”.
E assim, no ano de 1921, fundaram uma sociedade que duraria mais de vinte anos. Num de seus últimos depoimentos, Isabel resumiu a história: “Trabalhamos juntas feito duas irmãs”.
boxe 2 – Praia de Botafogo, 308
Fundada a sociedade entre Alice Flexa Ribeiro e Isabel Andrews, o Curso Andrews ganhou o seu perfil: laico, aceitando alunos de todos os credos, misto, com ênfase no ensino de línguas e socialmente progressista, recebendo famílias que não se adequavam aos rígidos padrões da época, num contexto em que a separação de um casal era motivo de discriminação contra os pais e de vergonha e constrangimento para as crianças.
Com a decisão de tornar o curso misto, em 1921, o empreendimento ganhou corpo. Em pouco tempo estruturou-se em dois níveis: as classes elementares, de 5 a 7 anos, e o curso primário, de 7 a 12 anos.
Naquela época, como havia provas de admissão para os alunos ingressarem no ginásio, o Curso Andrews também precisou passar pelo teste. “Quando chegou a vez da nossa primeira turma de alunos, o colégio ganhou nome, pois eles tiveram as melhores notas nos exames”, registrou Alice em suas memórias.
O curso cresceu rápido. Em 1921, o limite de vagas oferecidas era de 50; em 1922, já se matricularam 100 crianças. Durante todo esse período de crescimento, a necessidade de espaço cresceu proporcionalmente ao número de alunos. Fundado em duas salas da casa de mrs. Andrews, na praia de Botafogo, no 110, entre 1918 e 1926 o curso mudou-se quatro vezes, até chegar no endereço da praia de Botafogo 308, onde logo em 1930 um novo pavilhão foi construído, com área coberta e mais 13 salas de aula. Esse prédio seria a “cara” do Andrews para muitas gerações.
Em 1931, por ocasião da reforma Francisco Campos, uma ampla reorganização no ensino do país, os cursos particulares ganharam autonomia para avaliar seus próprios alunos ao fim do ginásio. Com isso, deixaram de ser apenas preparatórios aos exames do colégio Pedro II. Para marcar essa nova estatura, surge oficialmente o nome Colégio Andrews.
boxe 3 – No time principal
Em 1938, o Colégio Andrews abriu os chamados “Cursos Complementares”, de Direito, Engenharia e Medicina. Estes eram algo equivalente aos “cursinhos” de hoje, preparando os alunos para o ingresso no ensino superior. Costumavam ser ministrados dentro das próprias faculdades, o que começava a atrapalhar os universitários e veio a ser proibido pelo governo. Desalojados os cursos, seus professores, muitos deles das faculdades que formavam a antiga Universidade do Brasil, hoje a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e portanto a nata do ensino superior no estado, perderiam as aulas e a remuneração. O Andrews, que se preparara para este momento fazendo novas ampliações no prédio da praia de Botafogo, associou-se a vários desses professores, e assim garantiu, de uma hora para outra, 300 novos alunos.
Os maiores colégios da cidade ficaram enciumados, e reagiram. Uma denúncia anônima, enviada às autoridades educacionais, alegava serem as instalações do Andrews inadequadas, e dizia que os cursos não poderiam ter início. Para conferir as novas salas de aula, veio uma comitiva oficial, formada por um representante do ministério e por dois representantes de escolas concorrentes. Nada constataram de errado.
Mas a perseguição continuou, fomentando boatos de que os cursos seriam anulados e assustando os alunos. Isabel Andrews e Alice Flexa Ribeiro foram salvas por aliados de peso, convencidos da justiça de sua causa: d. Alzira Vargas, filha do então presidente da República, d. Vindinha Aranha, esposa do chanceler Oswaldo Aranha, o escritor Abgar Renault, então dirigindo o Departamento Nacional de Educação, e o próprio ministro, Gustavo Capanema.
Ao fim desse momento difícil, porém, os Cursos Complementares puderam acontecer, e o Colégio Andrews havia definitivamente ocupado seu lugar entre os principais colégios do Rio de Janeiro.
boxe 4 – Clarice Lispector: a advogada
Ao longo de sua história, formaram-se no Colégio Andrews inúmeras estrelas das artes, da política e da vida brasileira como um todo. Uma das primeiras na constelação foi Clarice Lispector.
Nascida na Ucrânia, em 1920, a futura escritora veio para o Brasil com a família ainda uma criança de colo. Morou em Maceió, mudou-se para o Recife e chegou ao Rio de Janeiro em 1935. Quando completou dezessete anos, decidiu ser… advogada.
Iniciou então o Curso Complementar que pavimentaria seu ingresso na Faculdade Nacional de Direito. Em 1938, quando esses cursos, por lei, deixaram de ser realizados pelas próprias faculdades, Clarice precisou escolher um novo estabelecimento. Nele faria o segundo e último ano do seu preparatório. Escolheu o Colégio Andrews, e estava, portanto, entre as turmas inaugurais dos Cursos Complementares.
Analisando seus boletins, vê-se que a advocacia, área repleta de termos latinos, não era mesmo a melhor opção. Embora suas notas em Latim não fossem tão más (média final 64 no 1o ano, 72 no 2o), em Literatura eram muito melhores (88 no 1o ano, 84 no 2o).
boxe 5 – Educação democrática: pleonasmo necessário
Alice Flexa Ribeiro iniciou uma tradição em sua família: atuar em prol da educação pública e privada, ignorando os preconceitos que buscam incompatibilizar essas duas esferas. Ao longo dos anos, trabalhou lado a lado com os maiores educadores do país. Tal esforço chegou ao ápice em 1945, quando foi eleita presidente da Associação Brasileira de Educação.
Era uma época conturbada na política do país, em que o regime fechado que começara em 30 já não mais atendia aos anseios da nação. E foi esse, justamente, o tema de seu discurso de posse: “Não sei como agradecer ao meu destino a honra de viver esta hora tão grave, cheia de angústias, mas, ao mesmo tempo, tão alvoroçada de esperanças para o nosso futuro educacional, político e social. Há uma palavra chave em nossa reunião de hoje – liberdade. Liberdade democrática é a ansiedade de todos os nossos corações”.
Passando das palavras à ação, ela organizou um Congresso de Educação Democrática. Recebeu então a homenagem de uma persona non grata ao regime getulista, mas que já se tornara uma figura central na história da educação brasileira: Anísio Teixeira.
Escreveu ele: “Até o último momento estive na esperança de poder ir, pessoalmente, apresentar-lhe as minhas desculpas por não poder comparecer ao Congresso de Educação Democrática promovido por essa associação e para que me convidou com tão afetuosa insistência. (…) Alegro-me de todo o coração com o congresso que a ABE está promovendo. Educação Democrática é quase pleonasmo. Democracia é educação e educação é democracia. (…) Seu muito devoto e admirador constante, Anísio Teixeira”.
boxe 6 – Sem medo de experimentar
Em 1958, o ministério da Educação achou que estava na hora de reformar o ensino brasileiro. Mas não sabia exatamente quanto ou como fazê-lo. Autorizou então algumas escolas a montar “Classes Experimentais”, nas quais teriam liberdade de compor novos currículos e desenvolver novos processos educacionais, quebrando a centralização da lei em vigor.
Enfrentando as hesitações e as críticas que cercavam a iniciativa governamental, o Colégio Andrews desenvolveu o seu projeto, submetido ao ministério e aprovado naquele mesmo ano. Em 1959, as Classes Experimentais começaram a funcionar, com tamanho êxito que em 1962 todas as turmas adotaram o novo programa.
Olhando retrospectivamente, destacam-se três aspectos extremamente atuais daquele plano de trabalho, e que até hoje caracterizam o Colégio Andrews. Em primeiro lugar, no ensino de Artes Plásticas, a valorização do contato “intencional e declarado com os elementos de linguagem plástica”, de grande “valor formativo para a personalidade”. Em seguida, a formação continuada dos professores, que, para integrar as Classes Experimentais, reciclaram seus métodos e procedimentos. Por fim, a constante participação do Serviço de Orientação Educacional, não apenas na formulação do plano, mas também no atendimento aos alunos, respeitando suas diferenças individuais, e na assistência aos professores quanto aos métodos e processos de ensino e avaliação.
A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1961, que estabeleceu novas estruturas para os currículos do ensino primário e médio, é ao mesmo tempo a culminância e o esvaziamento desse projeto tão inovador. Mesmo assim, as classes experimentais continuaram a existir no Colégio Andrews até 1963.
boxe 7 – Revolucionando a educação da Guanabara
Carlos Otávio Flexa Ribeiro assumiu a direção do Colégio Andrews em 1943. Isabel Andrews, então com 72 anos, desligou-se definitivamente. Sua mãe Alice, aos 59, embora continuasse atuando como educadora, deu-lhe carta branca. Carlos tinha então apenas 28 anos.
Aluno do Andrews de 1920 a 1930, formado em Direito e História, tendo começado a dar aulas no colégio de sua mãe já em 1932, ele viria a ser excepcionalmente bem-sucedido em todas as suas áreas de atuação. Como professor universitário, celebrizou-se ao vencer, em 1952, um disputadíssimo concurso para a cátedra de História da Arte, na Faculdade Nacional de Arquitetura. Mais tarde, lecionou como professor-convidado em universidades no Brasil e no exterior. Foi também uma figura cultural atuante, como crítico de arte, curador de exposições, diretor de museus e diretor do Departamento de Educação da UNESCO.
Sob seu comando, o Colégio Andrews cresceu e se modernizou. Mas Carlos manteve a tradição iniciada por sua mãe: a de pensar a educação do Brasil como um todo, desarmando as armadilhas ideológicas que opunham rede pública e privada. Em 1956, quando se discutiu o projeto que resultou na primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação, passou a escrever sobre o assunto para o jornal Correio da Manhã, e publicou também na revista Ensino Secundário. Foi ainda membro do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC).
Como secretário de Educação do estado da Guanabara, entre 1961 e 1965, sobretudo no que se refere ao ensino primário. Ao assumir o cargo, em janeiro, encontrou um déficit nas escolas primárias de 100 mil vagas. Seu plano de atuação previa a construção de escolas, mas este era um processo que levaria algum tempo. Outras medidas de caráter administrativo foram tomadas: com o rodízio da folga semanal dos professores, todos os alunos freqüentariam as salas de aula cinco dias por semana, mas as escolas funcionariam seis, e foi mantido o regime de três turnos diários, em vez de dois; novos espaços nas escolas seriam aproveitados ou construídos para servirem como salas de aula. Com isso, de saída, 64 mil vagas foram abertas. Em março, três meses depois da posse, o déficit era de apenas 10 mil vagas.
Ao final do mandato, os números eram espantosos. De 232 mil alunos atendidos pela rede pública, passou-se a 421 mil – um acréscimo de 81%. Foram abertas cerca de 200 novas escolas, o que representa uma escola a cada nove dias de governo. O número de professores contratados subiu 68%. Pela primeira vez foi possível tornar obrigatória a matrícula no ensino primário. Para culminar, o terceiro turno, tão combatido pelos oposicionistas, e por todos, pôde gradativamente ser desativado, pois se tornara desnecessário.
boxe 8 – Símbolos do tempo
Para quem não sabe, marca, símbolo, logotipo e logomarca são coisas diferentes.
Marca é de todos eles o conceito mais amplo, pois abrange o logotipo, o símbolo e, digamos assim, o “espírito” da instituição por ela simbolizada. Símbolo é um elemento gráfico que torna a marca visualmente tangível, podendo ser figurativo ou abstrato. O logotipo é a forma particular como o nome da instituição é representado graficamente, ou escrito, mediante a escolha de uma determinada família de letra. E logomarca é um neologismo que, embora muito usado, não tem qualquer precisão.
Durante seus vinte primeiros anos, o Colégio Andrews possuía apenas um logotipo cercado de vinhetas decorativas. Na década de 40, ele ganhou o primeiro símbolo. Em 1960, o designer Alexandre Wollner presenteou o colégio com um novo símbolo, em agradecimento ao importante papel desempenhado por Carlos Flexa Ribeiro, então secretário de Educação, na fundação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI). Nos anos 1990 foi a vez de a designer Ana Luisa Escorel fazer a sua versão do símbolo do colégio.
boxe 9 – Um novo Andrews
Em 1963, surgiu o segundo prédio do Colégio Andrews, na rua Visconde Silva, 161. Inicialmente, lá passaram a funcionar os quatro primeiros anos do ensino fundamental, o antigo primário. Naquela época, as salas de aula ficavam onde hoje funciona a recepção. O terreno era mais estreito e mais comprido, com um pátio de dois níveis em frente à casa, onde acontecia o recreio dos alunos. Havia uma única sala para a administração.
Com o tempo, para lá foram direcionados outras séries do ensino fundamental e o último ano do ensino médio. Para que isso fosse possível, terrenos vizinhos foram adquiridos e novos prédios, construídos. Carlos Flexa Ribeiro procurou seu antigo colaborador dos tempos de governo, o arquiteto Francisco Bologna, e pediu-lhe que os desenhasse seguindo os padrões usados nas escolas públicas que haviam construído juntos. O que era bom para o ensino público, era bom para o ensino privado: uma questão de coerência.
Em 1995, teve início na Visconde Silva a implantação do Horário Integral, primeiro na educação infantil, depois para os cinco primeiros anos do ensino fundamental. Mais tarde veio o regime de permanência, que se estende até o sétimo ano do ensino fundamental. Enquanto isso, novos prédios foram sendo construídos – hoje são cinco ao todo – e novos terrenos sendo adquiridos – um deles com uma casa, que passaria por grandes reformas – até que se chegasse às seis construções atuais.
O ano de 2000 teve início com a transferência completa das séries do ensino médio para a unidade da Visconde Silva. A partir deste momento, só haveria um Colégio Andrews. A mudança atendia ao desejo de boa parte das famílias dos alunos, que consideravam essa nova fórmula mais conveniente. Internamente, ter todos os segmentos num só local facilitou a integração e a agilidade na atuação das equipes pedagógica e docente.
boxe 10 – A terceira geração
Nos anos 1970, os três filhos mais velhos de Carlos Flexa Ribeiro – todos ex-alunos do Andrews – passaram a integrar a administração do colégio.
Carlos Roberto Flexa Ribeiro atuou, desde o início, na área administrativa, mais tarde assumindo o posto de diretor-financeiro da escola, que ocupa até hoje. Além disso, é o responsável pela supervisão das reformas e melhorias que o Andrews promove em suas dependências.
Vera Maria Flexa Ribeiro, após rápida passagem pelo prédio da Praia de Botafogo, 308, dedicou-se à direção geral da segunda unidade do colégio. Perpetuou no Andrews da Visconde Silva, o princípio de que uma escola é fundada no relacionamento humano, especializando-se na interlocução com os alunos e suas famílias, com os professores e a equipe pedagógica em geral.
Edgar Flexa Ribeiro, além de diretor do Andrews, deu continuidade ao espírito público da família, trabalhando pela educação brasileira nas esferas privada e pública. Na condição de dono de escola, atua desde 1975 no Sindicato Municipal dos Estabelecimentos Particulares de Ensino, que hoje preside, tendo sido eleito para o biênio 2006-08. Como educador latu sensu, foi membro do Conselho Estadual de Educação (1975-83; 1987-91), da Comissão de Especialistas de 1o e 2o Graus da Fundação Cesgranrio (1973-74), e presidiu as Câmaras de Legislação e Normas de Ensino de Segundo Grau (1975-83). Além disso, colabora na mídia escrita, falada e televisiva, tratando de temas pertinentes ao panorama educacional do país.
boxe 11 – Educar é uma arte
O ensino das artes – nisso compreendidos a música, o teatro e as artes plásticas – ganhou lugar de destaque no Colégio Andrews desde a implantação das Classes Experimentais, entre 1958 e 1963.
Naquela época tiveram início os recitais de música e os saraus. Desenho e trabalhos manuais, por sua vez, também ganharam maior importância.
Da mesma forma, o Teatro Amador do Colégio Andrews (TACA) foi criado formalmente em 1962, como parte do novo currículo. Embora a escola já promovesse apresentações teatrais desde antes, por exemplo aquelas vinculadas ao ensino de francês, com representações de Molière e outros autores clássicos, o TACA deu nova consistência e diversidade ao trabalho. Seu primeiro diretor foi Roberto de Cleto. Nos anos 1970-80, os atores Maria Padilha e Miguel Fabella, ambos ex-alunos do colégio, tomaram a frente do projeto. Na época foram realizadas montagens, entre outras, das peças Sonhos de uma noite de verão, Rocky Horror Show e Cabaré. Desses espetáculos saíram nomes como Marisa Monte, Drica Moraes, Bel Garcia e Luciana Braga.
Em 1990, foi a vez de outro ex-aluno assumir o posto de diretor do grupo: Gustavo Gasparani. Paralelamente a seu trabalho no TACA, ele integra a prestigiada Companhia dos Atores, vencedora de vários prêmios e tendo participado de festivais no Brasil e no exterior. Sob sua direção, o TACA formou atores como Bruce Gomlevsky e Ivan Sugahara, e encenou com igual sucesso, nesses últimos dezoito anos, peças clássicas e modernas, brasileiras e estrangeiras, como A comédia dos erros, Hair e A ópera do malandro. Mais recentemente, foram montados dois textos escritos pelos próprios alunos, A história do mundo e O sentido da vida.
boxe 12 – Trabalhando para o futuro
Pedro e Ana Carolina, os dois membros mais jovens da família Flexa Ribeiro na direção do Colégio Andrews, têm uma grande responsabilidade na condução de qualquer escola: pensar o futuro. Quando essa escola vive a singular condição de, ao mesmo tempo, ter 90 anos e ser caracterizada pela inovação constante, a responsabilidade fica ainda maior.
Ana Carolina, de 38 anos, começou cedo a se preparar. Formada em Comunicação e Pedagogia, teve uma experiência completa na administração do colégio. Conheceu por dentro o funcionamento de todas as suas áreas. Diretora desde 1999, atualmente divide-se entre o acompanhamento pedagógico geral (com ênfase na Educação Infantil e no Fundamental 1) e a supervisão administrativa.
Pedro Flexa Ribeiro, aos 45 anos, é um estudioso da pedagogia moderna. Formado na área, pós-graduado em Psicopedagogia com a argentina Alicia Fernández, começou a trabalhar no Andrews em 1983, tornando-se diretor-pedagógico em 1992. Seja participando de congressos, seminários e cursos de extensão, seja escrevendo em jornais e revistas sobre temas ligados à Pedagogia, habilitou-se à tarefa de trabalhar pela educação num sentido amplo. Participa, por exemplo, do Grupo Escolas Rio, tendo coordenado o grupo de trabalho que vem propondo novas formas de articulação entre o ensino médio e as universidades. Concebeu e, a partir dos anos 90, implementou uma profunda reforma pedagógica no Colégio Andrews. Graças a ela, hoje o Andrews faz parte da vanguarda entre as escolas particulares de todo o país.
boxe 13 – O poder da palavra
O Colégio Andrews oferece a alunos, pais e professores três importantes instrumentos de comunicação.
O primeiro a surgir, em 1995, foi o Jornal do Andrews. Em formato tablóide, de publicação trimestral, ele é um resumo dos últimos acontecimentos na vida da escola. Entrevistas com os alunos aprovados no Vestibular, trabalhos sendo desenvolvidos nos diferentes segmentos, registros das excursões e editoriais sobre temas ligados à educação compõem a maior parte da sua pauta, que inclui ainda a seção “Perfil do ex-aluno”, com relatos nostálgicos e saborosos.
Em seguida veio o jornal Nosso dia-a-dia, cuja primeiro número saiu em 2000. A princípio voltado exclusivamente ao registro das atividades no setor da Educação Infantil, em meados de 2001 ganhou uma edição dedicada ao Ensino Fundamental 1.
Por fim, há o site do Colégio Andrews ( HYPERLINK “http://www.andrews.g12.br” www.andrews.g12.br), que, além das edições eletrônicas dos jornais acima citados: traz uma pequena história do colégio; descreve o projeto pedagógico, a equipe de trabalho, os objetivos pedagógicos e o material escolar específico para cada nível de ensino, os horários disponíveis e os documentos necessários para a matrícula; registra eventos ocorridos no colégio e aqueles de que o Andrews tomou parte; sugere links interessantes e faz recadastramento de ex-alunos. Por fim, na seção “Vestibular”, o site divulga a lista dos alunos aprovados. Em 2008 representaram 97,4% do total.
boxe 14 – Formação de lideranças
Uma das principais funções de qualquer escola, nos dias de hoje, é transmitir aos jovens três valores fundamentais: democracia, igualdade de direitos e liberdade de pensamento.
Esse aprendizado de convivência é incentivado pelo Colégio Andrews desde a Educação Infantil. Contudo, ganha maior visibilidade a partir do nível Fundamental 2 (o antigo ginásio) e no Ensino Médio, graças às atividades do Grêmio Estudantil Andrews (GEA), órgão de representação dos alunos. Seus objetivos: complementar a consciência cidadã dos estudantes, representá-los e defender seus interesses individuais e coletivos junto às demais instâncias da vida escolar, estimular a cooperação entre eles, os professores, a equipe pedagógica, os funcionários e a direção da escola, promover atividades em geral (artísticas, desportivas etc.), incentivar a prática democrática e intensificar a integração escola-comunidade, por exemplo interagindo com a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).
O GEA, além de sua própria diretoria, é formado pela Assembléia Geral dos Estudantes e pelo Conselho de Representantes de Turma. Representantes e diretores são eleitos diretamente, numa aula de democracia e cidadania.
boxe 15 – Nasce o Andrews Baby
Em 1994, foi inaugurado o Andrews Baby, uma unidade especializada em educação infantil, que recebe criancas dos três meses até os seis anos de idade. Ele abrange, portanto, da creche ao primeiro ano do ensino fundamental. Está localizado no Jardim Botânico, numa casa com dois andares e oito salas de aula, além de um pátio cheio de brinquedos e um solário. Sua equipe de profissionais é altamente qualificada nas áreas administrativa e pedagógica, beneficiando-se de processos regulares de reciclagem e supervisões especializadas.
O Andrews Baby oferece ainda um trabalho de iniciação em inglês, informática, educação física, capoeira, música, balé e artes plásticas. Sua proposta pedagógica valoriza o dinamismo dentro da sala de aula, nas demais dependências da escola e inclusive fora dela, com a freqüente realização de atividades externas. Desta forma, as crianças partem para sua futura vida escolar preparadas e com alta capacidade de adaptação a espaços novos e maiores.
boxe 16 – Narrativa e identidade
Muitos dos atuais alunos do Colégio Andrews são filhos, netos ou até bisnetos de ex-alunos. Também entre os atuais professores há aqueles que estudaram aqui. Juntos eles compõem uma memória que tem por base sua experiência particular – mas vai além dela, originando uma memória coletiva que pertence também a sua família, a seus colegas e a toda a equipe da escola. Do conjunto de tais narrativas brota a identidade do Andrews.
Em 2008, ao completar 90 anos, a linha mestra escolhida pelo colégio para nortear seu projeto pedagógico foi: “Narrativa e Identidade”.
Se a construção do discurso está profundamente ligada à constituição da identidade, isto é, do pensamento e da capacidade de auto-definição dos indivíduos e dos grupos sociais, este lema vai ao encontro de alguns postulados essenciais da educação que o Andrews proporciona a seus alunos.
A democracia e a liberdade de pensamento, por exemplo, não existem onde não existe o direito de cada um constituir o seu próprio discurso. Isso implica igualdade de direitos, respeito à diversidade e compreensão do outro. Por fim, a narração da própria história exige uma atitude não-passiva perante o objeto narrado, condição necessária para a produção do conhecimento. Afinal, narrar é muito mais do que recordar o passado; é, também, recriá-lo, estabelecendo novas relações e produzindo novos sentidos.
boxe 17 – Agradecimentos
Ao longo de 90 anos de história, o Colégio Andrews tem muitos agradecimentos a fazer. Professores, coordenadores, orientadores pedagógicos, diretores e colaboradores em geral, com sua competência e sua dedicação, foram fundamentais nessa trajetória de sucesso.
Seria impossível mencionar todos aqui. Como em qualquer reencontro de uma antiga turma de colégio, as evocações são sempre fragmentadas e incompletas, deixando de evocar inúmeros outros personagens importantes. Ainda assim, alguns nomes brotam na conversa, simbolizando o conjunto maior.
Entre os professores: Coelho Neto (Português), Carlos Chagas (Biologia), Miguel Ramalho Novo (Matemática), João Cristovão Cardoso (Química), Antônio Carlos do Amaral Azevedo (História), Paulo Rónai (Latim), Carlos Shankrow Maia (Ciências e Matemática), Alcides Lourenço Gomes (Biologia), Ernesto Tolmasquin (Física), Evanildo Bechara (Português), Olga de Assis (primário), Ligia Rietti (primário), Dora Midosi May (primário), Geny Araujo (primário), Juracy Werneck (primário), Miss Mary (Inglês), Mademoiselle Margot (Francês), Blanche Thiry Jacobina (Francês), Victor Notrica (Química), Jairo Bezerra (Matemática), Edgard Cabral de Menezes (Química), Regina Alves Braga (Português), Olmar Guterrez da Silveira (Latim), Francisco Pimenta de Moraes (Português), Perla Ciornai e Aurea Moraes (Inglês), Lister Perrone (Desenho), Julietta Strutt (Canto Orfeônico), Clovis Dottori (Geografia), Joaquim Mattoso Câmara (Português), Domício Proença Filho (Literatura), Maurício Silva Santos (Geografia), Hugo Weiss (História), Luis Alfredo Garcia Roza (Filosofia), Antonio Gomes Penna (Psicologia), Maria da Penha Jacobina (Química), Maria da Penha Silveira (Biologia), Talvane de Barros (Matemática), Sérgio Nogueira (Português), Manuel Maurício de Albuquerque (História), Rosa Helena Fernandes (primário), Angela Sávio (primário), Clay Vasconcelos (primário), Maria Helena Bumachar (primário), Carlos Otávio da Silveira (Biologia), José Luís Coelho Marques (Geometria Descritiva), Arnaldo Struzberg (Matemática), Maria Emília Barcellos da Silva (Português), Magda Bouças (primário), Luiz Carlos Barreto dos Santos (História), Maria Antonieta Neto Ramos (Matemática), Leo de Abreu (Matemática), Paulo Eduardo Ferreira D’Azevedo (Química);
Entre os colaboradores: Aluísio Machado, Eunice Campos, Carlos Guimarães, João da Motta Paes, Ary Sette Pereira, Edgard de Azevedo Neto, Guilhermina Sette, Marisa Fiuza de Castro, Maria Alice Simonsen, Lea Malogolovkin, Adélia Carregal, Rogério Carvalho, Maria Helena Iannelli, Maisa Lacerda Freire, Regina Andrews, Sheila Ponce Leon Valente e Victor Machado.
Na direção da cantina, merecem ser lembrados o Manuel, dos anos 1960, e o Martins, que lá permaneceu até o ano 2000. Por fim, os porteiros Praxedes, dos anos 40, Zuza, dos anos 70, o inesquecível Paulinho, que reinou na portaria da unidade da Praia de Botafogo até o ano 2000 e, claro, o Luis Sutero, que continua recebendo nossos alunos a cada dia.
A estes e a todos os demais, muito obrigado.
boxe 18 – [Mayumi fará dois quadros com as informações]
quadro 1 Colégio Andrews
Educação Infantil (tarde e integral)
Ensino Fundamental:
1º e 2º ano (tarde e integral)
3º ao 5º ano (manhã, tarde e integral)
6º e 7º ano (manhã e permanência)
8º e 9º ano (manhã)
Ensino Médio (manhã/tarde)
Para matrículas no ano letivo em curso, as inscrições acontecem até julho, caso ainda haja vagas. De setembro em diante, são abertas inscrições para o próximo ano letivo.
Atendimento na secretaria: das 8h às 16h
Endereço: Rua Visconde Silva, 161 Cep 22271-090 Humaitá
Maiores informações tel: 2266-8010 R-200 ou 202
e-mail: HYPERLINK “mailto:secretaria@andrews.g12.br” secretaria@andrews.g12.br
homepage: www.andrews.g12.br
quadro 2 Andrews Baby
Educação infantil (do berçário às classes de alfabetização)
Horário de funcionamento:
Manhã – 8:00 h às 13:00 h
Tarde – 13:00 h às 18:00 h
Turno estendido: 10:00 h às 18:00 h
Diretora-executiva: Magda Bouças de Faria
Supervisora-pedagógica: Ana Magioli
Endereço: Rua Abade Ramos, 66 Cep: 22461-090 Jardim Botânico
Maiores informações tel: 2286-2822 ou 2579-1158
e-mail: HYPERLINK “mailto:andrewsbaby@andrewsbaby.com.br” andrewsbaby@andrewsbaby.com.br
homepage: www.andrewsbaby.com.br
Frases de ex-alunos notáveis:
“Todos os momentos foram alegres.”
João Carlos Assis Brasil
“O palco do teatro do colégio foi o primeiro em que pisei na vida, com apenas nove anos de idade.”
Beth Carvalho
“Saudades de tudo que o Andrews pôde me proporcionar e que contribuiu para a minha vida.”
Bernardinho
“O Andrews traz todas as boas lembranças possíveis. Foi no TACA que comecei a me interessar verdadeiramente por teatro.”
Miguel Fallabella
“Os saraus do colégio me deram a confirmação de que eu não poderia ser outra coisa senão músico.”
Roberto Frejat
“Gostaria de deixar registrado o meu desejo de que o Andrews funcione como a principal arma para que o resgate cultural possa acontecer, pois só assim o ensino no Brasil poderá voltar a ser como era.”
Renato Machado