Atena | coleção Deuses da Mitologia

a outra vida

Já estava se fazendo notar, na coleção Deuses da Mitologia, a falta de um número dedicado à deusa da sabedoria, da justiça, das artes e ofícios: Atena. Afinal, ela é, por todos os motivos, um dos integrantes mais importantes do panteão na Grécia antiga.

Ao longo desta edição, a professora Marlene Suano nos dá vários motivos para que a afirmação acima não pareça um exagero retórico. Para começar, Atena é a filha preferida de Zeus. Nasceu de sua cabeça, já adulta e paramentada com o elmo e o escudo que são seus principais atributos. Em seguida, é a padroeira de Atenas, a principal cidade-estado da Grécia. O que, entretanto, não a impediu de ser cultuada pelas outras cidades, inclusive Esparta, a grande rival dos atenienses. Atena é também a deusa da guerra, elemento fundamental na vida dos povos antigos. Mas enquanto ao outro deus da guerra, Ares, cabia o quinhão da violência, da discórdia e do medo que qualquer conflito armado provoca, Atena era responsável pela parte nobre dos conflitos armados, ou seja, a honra, a coragem e a estratégia. Um exemplo rápido, mas de importância crucial, de seu tirocínio em combate: foi Atena quem sugeriu aos gregos a idéia do Cavalo de Tróia, o golpe de mestre que pôs fim ao cerco da cidade, então já se arrastando por dez longos anos.

Para culminar, Atena era a patriarca do conhecimento e dos ofícios passíveis de aprendizado pelos mortais, e portanto a ela são devidas as invenções nada corriqueiras do carro de tração animal, do arado, do bridão e da tecelagem. Ela é, também, a padroeira de muitas das instituições de ensino que se espalham pelo mundo, e não por acaso o nome Ateneu, que em nossa língua tornou-se um sinônimo de lugar de estudo, em grego significa “a casa de Atena”.

Ao longo desta edição, veremos quem eram os protegidos da deusa, entre os quais se destaca a figura de Ulisses, o protagonista da Odisséia de Homero, e quem foram aqueles desaviados que despertaram sua fúria. Conheceremos seu misterioso filho, personagem cuja história é atravessada por inúmeras versões, meio homem meio serpente, nascido ou adotado pela deusa virgem.

Finalmente, a curiosa transformação de Atena na cultura romana. Ao ser associada à deusa Minerva, ela se afasta das atividades bélicas, agora exclusivas de Marte. Porém, mais do que nunca, liga-se ao mundo do saber e do conhecimento.

Em meio a tudo isso, como de hábito, a coleção Deuses da Mitologia reuniu uma bela galeria de obras de arte, ora para ilustrar passagens da “vida” de Atena, ora de modo a corroborar as informações dadas sobre sua caracterização e a daqueles com quem interage.