Afrodite | coleção Deuses da Mitologia

a outra vida

O público em geral conhece a deusa do amor e do desejo mais pelo nome que ganhou em Roma, Vênus, do que pela forma grega original, Afrodite. Daí o título deste terceiro número da coleção Deuses da Mitologia. Mas este pequeno “acidente de recepção” em nada diminui o lugar central que ela ocupa no imaginário mítico grego. Na verdade, desde o início os poderes de Afrodite foram tantos, e tão irresistíveis, que até mesmo Zeus, o senhor do monte Olimpo, precisava tomar cuidado para não cair em tentação.

Esta edição encontra-se dividida em duas partes. Na primeira, é da história da deusa que tratamos. Aqui o leitor poderá acompanhar a trajetória completa de Afrodite, sem qualquer censura, ainda que com cenas de amores explícitos. De seu nascimento, no contato entre a espuma do mar e o sêmen de Urano, deus primitivo e pré-olímpico, passando por seus muitos amores e ódios, por seus filhos, seus atributos e epítetos, até chegarmos aos festivais e às disputas realizados como forma de culto à divindade. Todos os textos dessa primeira parte foram escritos por nossa colaboradora Marlene Suano, professora de História Antiga e Arqueologia no Departamento de História da USP e principal autora do número anterior de nossa coleção, dedicado ao deus Apolo.

Na segunda parte, de caráter mais ensaístico, abordamos a deusa Afrodite como tema nas obras literárias ou filosóficas que até hoje são a base da cultura ocidental. Platão, Sócrates, Safo, Lucrécio e Demócrito são alguns dos autores em cuja obra a figura de Afrodite, ou Vênus, é destacada e analisada. A soma das imagens que dela se depreende nos chamados Hinos Homéricos, na poesia lírica greaga, na filosofia greco-romana e, por fim, na obra de Homero, mais especificamente na Ilíada, compõe um retrato do maior interesse e absolutamente original da deusa.

Um exemplo disso está no texto que discute a participação de Afrodite na Guerra de Tróia. Se tradicionalmente ela é vista como uma deusa que não está ligada às artes da guerra, mas apenas às do amor e da sedução, um novo olhar pode nos mostrar que, muito astuciosamente, ela usa o famoso conflito para viabilizar a ascensão de seu filho Enéias à condição de rei dos troianos e, em seguida, de fundador de uma cidade eterna: Roma.

Esta segunda parte é composta por textos de vários autores, todos professores altamente qualificados e especializados em seus respectivos temas. São eles: Mary Laffer, Giuliana Ragusa, Adriano Machado Ribeiro e Marcos Martinho.

Como de hábito, a História da Arte marca presença em nossas páginas. Cada episódio da vida de Afrodite, cada visão que se tem dela na literatura, é ilustrada por alguma obra-prima. Além disso, nossos dossiês identificam tópicos eleitos pelos grandes artistas e compõem um mostruário de suas várias representações ao longo do tempo.

Rodrigo Lacerda, editor